O LIVRO DE SALMOS – ENTENDENDO A HISTÓRIA



O constante encanto e atualidade dos salmos são devidos, principalmente, à intensidade espiritual. Os salmistas são unanimes em adora a Deus, seja qual for o modo, motivo ou variedade de circunstancias. Cada um destes hinos, cada uma destas orações, é uma expressão ou um eco de uma vivida relação pessoal com Ele. Foi incorporada nestes poemas em qualidade dinâmica de vida. Por detrás das palavras existe uma experiência profunda e, para além da experiência, encontra-se uma manifestação de Deus. Cada salmo torna-se um sorvo da própria fonte de vida. Há três temas principais deslizando através do Saltério. Em primeiro lugar, um encontro pessoal com Deus, envolvendo o principio de sua existência real. Em segundo lugar, a importância da ordem natural das coisas, envolvendo o principio do poder criador, universal e sábio de Deus. Em terceiro lugar, um principio da escolha divina de Israel para desempenhar um papel especial e benevolente entre os homens. Salmos 48, 74, 78, 81, 105, 106, 114. O nome hebraico do livro é Tehilim, que significa ”Cântico de louvor”. Embora se manifeste, em certas ocasiões um sentimento de confusão por causa de alguma injustiça  temporal como em 37 e 73, há uma expressão dominante de esperança, não só no conceito messiânico de uma única manifestação futura de Deus ao homem, mas também na realidade e na eficácia do perdão divino do pecado. Ver por exemplo, os Salmos 25,51,70. Há também um sentido profundo do caráter objetivo da religião. Os salmistas tratam mais com Deus do que com os homens, e lançam-se, para alcança-lo, num abandono de si próprios. Deus é conhecido como universal, como em  Salmos 65,67: supremo na natureza – Salmos 29 ,e na historia – Salmos 78, constante – Salmos 102 e, acima de tudo, fiel, pessoal, gracioso, ativo e adorado Salmos 139.
I. Os Autores
Somando 150, os Salmos foram escritos por:
  • Davi. Segundo os títulos, escreveu 73 deles, era o espirito bravo, corajoso, mas, sobretudo devotado a Deus. Gostava de cantar e tocar instrumentos, cantando para Deus, pelo espirito de Deus.
  • AsafeUm vidente: 2 Crônicas 29:30; autor de 12 Salmos, foi posto sobre serviço de canto na casa de Deus.Neemias 12:46; 1 Crônicas 6:32-39.
  • Salomão. Recebeu de Deus a maior riqueza e o maior grau de sabedoria de todos os tempos; escreveu dois Salmos, 72 e o 127.
  • Moises. Autor do Salmo 90. Além disso, há também o seu “ultimo cântico” que é registrado em Deuteronômio 32.
  • Hemã. Filho de Joel e neto de Samuel; era profeta e cantor-regente de um misto coral e orquestra o qual participava seus 14 filhos e três filhas 1 Crônicas 25:5-6, além de outros cantores e instrumentistas 1 Cronicas 6:33 e 15:19; escreveu o Salmo 88.
  • Etã. Um dos compositores do coral-orquestra de Hemã, que tocava instrumentos de metal 1 Cronicas 15:19; era filho de Zima e neto de Simei, aquele que amaldiçoou Davi em Baurim 2 Samuel 16:5; 1 Reis 2:8-44.Escreveu o Salmo 89.
  • Esdras. A ele se atribuiu a autoria de Salmos que alguns autores dão como anônimos.
  • Ezequias. Rei de Judá, filho de Acaz 2 Cronicas 28:27; 29:30; é tido como um dos autores dos Salmos.
  • Os filhos de Coré. Coré era descendente de Levi Números 16:1-2 e intentou uma rebelião contra Moises. Os filhos de Coré continuaram a serviço de Deus e se tornaram guias de adoração em Israel, formando um grupo de cantores no templo, cujas musicas eles próprios escreviam. A eles se atribuiu a feitura de 11 salmos: 42 e seguintes.
  • Jedutum. Cantor-mor do tabernáculo 1 Cronicas 25:1; era um dos profetas que Davi separou para o ministério de louvor, juntamente com Asafe, Hemã e outros 1 Cronicas 25:5.
Muitos salmos são de fonte desconhecida. Os estudiosos judeus os chamavam de “Salmos órfãos”.
As referencias bíblicas e históricas sugerem que Davi 1 Cronicas 29:25-30Provérbios 25:1 e Esdras Neemias 12:27-36;45:47 participaram, em suas respectivas épocas, da compilação dos salmos para o uso no culto publico em jerusalem. A compilação final do Salterio deu-se mais provavelmente nos dias de Esdras e Neemias (450/400 a.C).
II. Data
Os salmos, considerados individuais, podem ter sido escritos em datas que vão desde o Êxodo até a restauração depois do exilio babilônico. Mas as coleções menores parece haver sido reunidas em períodos específicos da historia de Israel: o reinado do rei Davi 1 Cronicas 23:5; o governo de Ezequias 2 Cronicas 29:30; e durante a liderança de Esdras e Neemias Neemias 12:26. Esse processo de compilação ajuda a explicar a duplicação de alguns salmos. Por exemplo, o Salmo 14 é similar ao Salmo 53.
O livro dos Salmos foi editado em sua forma atual, embora com diversas variações, na época em que a Septuaginta Grega foi traduzida do hebraico, alguns séculos antes do advento de Cristo.
Os textos ugaríticos, quando contratados com os recentes escritos do Mar Morto. Mostram que as imagens, o estilo e os paralelismos de alguns salmos refletem um vocabulário e estilo cananeus muito antigos. Assim, o Livro dos Salmos reflete o culto, a vida devocional e o sentimento religioso de cerca de mil anos da historia de Israel.
Mais de 1000 anos desde Moises (1500 A.C) até Esdras (450 A.C). O salmo mais antigo conhecido vem de Moises, no século XV A.C Salmos 90; os mais recentes provem dos séculos VI e V ac. Salmos 137.
III. A divisão do livro
Os 150 salmos são organizados didaticamente em cinco livros. Cada um desses livros termina com uma doxologia, ou “enunciação de louvor e invocação a Deus”, e correspondem mais ou menos aos cinco livros do Pentateuco (as divisões são aproximadas).
Livro I – Cânticos de Davi – 1 a 41
Livro II – Grupo devocional – 42 a 72
Livro III – Grupo litúrgico – 73 a 89
Livro IV – Grupo anônimo – 90 a 106
Livro V – Salmos escritos mais tarde – 107 a 150
Os salmos, não aparecem em ordem cronológica. O salmo escrito por Moises, por exemplo, embora haja sido o primeiro a ser composto, só apareceu em nonagésimo lugar. Eles foram assim dispostos para facilitar a liturgia no Santo Templo.
IV. Características principais
  • É o maior livro da bíblia, e contem o capitulo mais extenso 119:1-176, o capitulo mais curto 117:1-2 e o versículo central da bíblia 118:8.
  • É o hinário e livro devocional dos hebreus, e a sua profundidade e largueza espirituais fazem com que este livro seja o mais lido e estimado do Antigo Testamento, pela maioria dos crentes.
  • “Aleluia” (traduzido por “louvai ao senhor” em algumas bíblias), um termo hebraico universalmente conhecido pelos cristãos. Ele ocorre vinte e oito vezes na bíblia, sendo que vinte e quatro estão no livro de salmos. O Salterio chega ao seu auge no Salmo 150, com uma manifestação de louvor completo, harmonioso e perfeito ao senhor.
  • Nenhum outro livro da bíblia expressa tão bem a gama inteira das emoções e necessidades humanas em relação a Deus e a vida humana. Suas expressões de louvor e devoção fluem dos picos mais altos, da comunhão com Deus, e sues brados de desespero ecoam dos vales mais profundos do sofrimento.
  • Cerca de metade dos salmos consiste de orações de fé em tempos de tribulação.
  • É o livro do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento.
  • Os “Salmos prediletos” da bíblia são: 1;23; 24; 34; 37; 84; 91; 103; 119; 121; 139 e 150.
  • Salmo 119 é único na bíblia por:
  1. Seu tamanho, 176 versículos.
  2. Seu grandioso amor a Palavra de Deus
  3. Sua estrutura literária que compreende vinte e duas estrofes de oito versículos cada, sendo que dentro de cada estrofe, cada versículo inicia com a mesma letra, segundo a ordem das 22 letras do alfabeto hebraico, formando um acrostico I alfabético.
  • A característica literária principal do livro é um estilo poético chamado paralelismo, que utiliza mais o ritmo dos pensamentos do que o ritmo da rima ou da métrica. Esta característica possibilita a tradução da sua mensagem de um idioma para outro sem muita dificuldade.
Salmo é uma espécie de historia cantada, com a finalidade de louvor, exortação, ensino, gratidão e petição. Seu segmento monótono e sem inflexão de voz era interrompido no ato de respirar, somente quando o cantor sentia-se impossibilitado de continuar, mas, ainda assim, deveria obedecer a mesma entonação do texto, sem demonstrar que fora interrompido. O sinal para essa observação era a palavra “Selá” ou “Selah”, com significado de prossegue ou prossiga. A palavra “selá” significa, evidentemente, uma pausa musical; portanto, não deve ser lida. Muitos salmos eram acrósticos (a letra inicial de cada versículo era uma letra do alfabeto), tais como os de números 9; 10; 25; 34; 37; 111; 112; 119; 145. Salmos imprecatórios impetravam a ira de Deus sobre os inimigos de Deus e do seu povo. Estes incluem os números 52; 58; 59; 69; 109; 140. A musica desempenhava papel de importância no culto do antigo Israel Salmo 149; 150; 1 Crônicas 15:16-22; os salmos eram os hinos do povo de israel. Compostos por rima ou metrificação, a poesia e o cântico do Antigo Testamento tem por base o paralelismo de pensamento, em que a segunda linha (ou linha sucessiva) da estrofe praticamente faz uma reintegração (paralelismo sinônimo), ou apresenta um contraste (paralelismo antitético), ou, de modo progressivo, completa (paralelismo sintético) a primeira linha. Todas as três formas de paralelismo caracterizam o Saltério.
V. O vocábulo Salmos.
A palavra Salmos tem origem na tradução do Antigo Testamento hebreu para o grego no ano 200 A.C, feita por 70 sábios – a Septuaginta (LXX). Nesta versão os Salmos recebem o titulo de Psalmói: Canticos entoados acompanhados de instrumentos de cordas. No hebraico, o termo que corresponde a salmos é Tehillim: louvores ou cânticos de louvores.
  1. 1. Salterio
O livro de salmos também é chamado de saltério. Este termo vem da palavra grega Psâlterion. É o nome de um instrumento musical que, no Antigo Testamento, já era bem conhecido Salmos 33:2; 108:2 e 144:9. Os títulos descritivos que precedem a maioria dos salmos, embora não pertençam ao texto original, logo não inspirados, são muito antigos (anteriores a Septuaginta) e importantes.
O conteúdo desses títulos varia, e forma diferentes grupos de salmos como:
  • O nome do autor (Salmos 47, “Salmo… entre os filhos de Coré”).
  • O tipo de Salmo (Salmo 32, um “masquil”, que significa uma poesia para meditação ou ensino);
  • Termos musicais (Salmo 4, “Para o cantor-mor, sobre Neguinote [instrumento de cordas]”)
  • Notações litúrgicas (Salmos 45, “Cantico de amor”, um cântico para casamento).
  • Breves notações históricas (Salmos 3, “Salmo de Davi, quando fugiu de Absalão, seu filho”)
Em quase todas as bíblias atuais, dependendo da agencia publicadora e da respectiva versão e edição, cada salmo traz, antes de tudo, uma epigrafe, elaborada por essas agencias. É evidente que essas epigrafem (bem como as demais através da bíblia) não são inspiradas.
Os salmos, como orações e louvores inspirados pelo Espirito, foram escritos        para, de modo geral, expressarem as mais profundas emoções intimas da alma em   relação a Deus.
  1. Muitos foram escritos como orações a Deus, como expressão de:
  • Confiança, amor, adoração, ação de graças, louvor e anelo por maior comunhão com Deus.
  • Desanimo intensa aflição, medo, ansiedade, humilhação e clamor por livramento, cura ou vindicação.
  1. Outros foram escritos como cântico de louvor, ação de graças e adoração, exaltando a Deus por seus atributos e pelas grandes coisas que ele tem feito.
  2. Certos salmos contem importantes trechos messiânicos.
VI. Temas
Os grandes temas dos salmos são Jeová, Cristo, a Lei, a Criação, o futuro e Israel, e os exercícios no sofrimento, gozo ou perplexidade de um coração renovado.
  1. Os salmos mostram a atitude de um homem dirigir-se a Deus por intermédio da poesia cantada e podem ser:
  • Um elogio a Deus: 23 e 103
  • Uma exortação aos circunstantes: 1;14; e 37
  • Uma recriminação aos que se esquecem de Deus: 52
  • Uma forma de implorar o socorro a Deus: 51
  1. O seu tema  é principalmente o louvor: 96;100 e 103
  2. Alguns deles mostram a experiência do povo com o seu Deus, e a esperança  deles no Messias: 2;16 e 22
  3. Um tema importante é a pessoa e a obra de Cristo, nosso senhor o sugere em Lucas 24:44
Saltério, uma antologia de 150 salmos, abarca ampla gama de temas, inclusive revelações a respeito de Deus, da criação, da raça humana, do pecado e do mal, da justiça e da santidade, da adoração e do louvor, da oração e do juízo. Alaúde a Deus de modo ricamente variado: como fortaleza, rocha, escudo, pastor, guerreiro, criador, rei, juiz, redentor, sustentador, aquele que cura e vingador; Deus expressa amor, ira e compaixão; Ele é onipresente, onisciente e onipotente. O povo de Deus é também descrito de varias maneiras: como a menina dos olhos de Deus, ovelha, santos, retos e justos que ele livrou do lamaçal escorregadio do pecado e pôs seus pés na rocha, dando-lhes um cântico novo. Deus dirige os seus passos, satisfaz seus anseios espirituais, perdoa todos os seus pecados, cura todas as suas enfermidades e lhe provê uma habitação eterna. Um bom método para estudar o livro é fazê-lo pelas categorias classificatórias como os salmos (algumas dessas categorias se sobrepõem parcialmente):
  1. Cânticos de Aleluia ou de louvor: engrandecem o nome, a majestade, a bondade, a grandeza, e a salvação de Deus, Salmos 8; 21; 33; 34; 103; 106; 111; 113; 115; 117; 135; 145; 150.
  2. Cânticos de ação de graças: reconhecem o socorro e livramento divinos, em muitas ocasiões, em favor do individuo ou de Israel como nação, Salmos 18; 30; 34; 41; 66; 100; 106; 116; 126; 136; 138.
  3. Salmos de oração e suplica: incluem lamentos e petições diante de Deus, sede de deus e intercessão, em favor do seu povo, Salmos 3; 6; 13; 43; 54; 67; 69; 70; 79;  80; 85; 86; 88; 90; 102; 141; 143.
  4. Salmos Penitenciais: enfocam o reconhecimento e confissão do pecado, Salmos 32; 38; 51; 130.
  5. Cânticos da Historia Bíblica: narram como Deus lidou com a nação de Israel, Salmos 78; 105; 106; 108; 114; 126; 137.
  6. Salmos da (Majestade Divina): declaram convictamente que o “senhor reina”, Salmos 24; 47; 93; 96; 99.
  7. Cânticos litúrgicos: compostos para cultos ou eventos festivos especiais, Salmos 15; 24; 45; 68; 113; 118; estes seis últimos eram cantados anualmente na Pascoa.
  8. Salmos de Confiança e de Devoção: expressam:
  • A confiança que o crente tem na integridade de Deus e no conforto da sua presença.
  • A devoção da alma a DeusSalmos 11; 16; 23; 27; 31; 32; 40; 46; 56; 62; 63; 91; 119; 130; 131; 139.
  1. Cânticos de Romagem: também chamados “Canticos de Sião” ou “Canticos dos Degraus”. Eram cantados pelos peregrinos, a caminho de jerusalem para celebrarem as festas anuais da Pascoa, de Pentecostes e dos Tabernáculos, Salmos 43; 46; 48; 76; 84; 87; 120; 134.
10.  Cânticos da Criação: reconhecem a obra de Deus na criação dos céus e da terra Salmos 8; 19; 33; 65; 104.
11.  Salmos Sapienciais e Didáticos: Salmos 1; 34; 37; 73; 112; 119; 133.
12.  Salmos Régios ou Messiânicos: descrevem certas experiências do rei Davi ou Salomão com significado profético, cujo cumprimento pleno terá lugar na vinda do Messias, Jesus Cristo, Salmos 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69; 72; 89; 102; 110; 118.
13.  Salmos Imprecatórios: invocam a maldição ou condenação divina sobre os ímpios, Salmos 7; 35; 55; 58; 59; 69; 109; 137; 139.
Muitos crentes ficam perplexos quanto a estes salmos, porem, deve-se observar que eles foram escritos por zelo pelo nome de Deus, por sua justiça e sua retidão, e por intensa aversão à iniquidade, e não por simples vingança. Em suma: clamam a Deus para ele elevar os justos e abater os ímpios.

autor:desconhecido
postagem retirada de  jefteoliveira

4 comentários:

Parabéns pelo Estudo...
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muito interessante a historia dos salmos fiquei perplexo mui lindo tudo isso

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